102 Caça às Bruxas, o Exorcismo das Conas Lambuzadas


A louca noite das bruxas em Saint Peter de la Buraca há-de ficar para os anais das minhas historias, mesmo que eu não tenha enrabado ninguém, será uma aventura para de vez em quando recordar. Mesmo quando eu pensava que tudo já estava acabado, havia de acontecer mais alguma coisa. Chegamos e o taxi parou à porta do cemitério, e aí regressou o pesadelo. Foi um castigo para tirar a Vaca da minha mãe e a Aleivosa da amiga de dentro do carro, estavam completamente pedradas e desorientadas, mal davam um passo, e pior ainda, não estávamos à porta de casa.
Eu já devia ter adivinhado isto, porque ao sair da casa da Feiticeira as Rameiras pareciam que iam podres de bêbadas aos trambolhões. A culpa foi da Benzedeira! Tínhamos tido todos uma noite louca com direito a defumadouro de erva, e a sexo puro e duro, mas o que veio a seguir matou tudo. Depois da foda tresloucada, eu e a Mága passamos pelas brasas, quando acordamos fomos dar com as Cadelas na sala ao lado a dormir estateladas no meio do chão, nuns andamentos duvidosos. Saias levantadas, reluzentes conas lambuzadas e arregaçadas, blusas abertas, têtas de fora e mamilos maltratados, pelo andamento dava para adivinhar que as Fufas tinham estado a consolar-se uma na outra. Para castigo a Deusa vestiu o outra vez fato de Necromante, e acordou-as para lhes fazer um Exorcismo.
Armada em Padreca começou por lhes pregar um sermão, aquela voz cavernosa estava de volta, e assustava a valer, chamou os bois pelos nomes ou melhor as Vacas, de Putas para cima, acusou-as de estarem a cometer atos contranatura homossexuais, por serem fufas e terem estado ali a trocar caricias, beijar-se na boca, chupar as têtas, lamberem e esfregarem a cona uma na outra. Obrigou-as a confessar, e elas assentiram de imediato, e quis saber que outras sevicias sexuais as pecadoras tinham praticado naquela noite e sobre o sagrado e sacrossanto tecto da casa da Bruxa, e a minha mãe de rosto altivo lá confessou que enterrou de punho a mão na rata da amiga. A confessora obrigou-a logo a por-se de joelhos com as mãos por baixo dos joelhos. A seguir virou-se para a Aleivosa que chorava copiosamente, que sem que fosse mandada se prostrou no chão de joelhos aos pés da Esconjuradora, e começou logo a dizer que me tinha dado o pito, mas que tinha sido obrigada.
A Benzedeira atiçou novamente as brasas e tapou o nariz com a capa grossa, aquele aroma forte voltou, começou a entoar pela sala novamente a fita gravada um murmurio de ladainhas e rezas imprecepítiveis, que iam aumentando de ritmo e intensidade. Eu afastei-me para a entrada da porta para fugir do fumo da droga, a bruxa levantou as duas pecadoras deu-lhes duas voltas para elas perderem a orientação e fugiu de cena. A conjura ecoava pela sala, deviam ser invocações em latim, ou algo assim, mesmo à distancia dava para perceber que elas tremiam como varas verdes. A Exorcista voltou de novo, e entregou uma cruz de madeira a cada uma, ambas agarram na sua com ambas as mãos e apertaram-na junto ao peito, enquanto isso começava a ouvir-se repetidamente «expulso diabolo». A Enxota-diabos calmamente benzeu-as às duas, e elas automaticamente ficaram ali a repetir a benção terminando sempre com um beijo na mão. E a Adivinha soube que as Pecadoras estavam prontas regressou com uma pequena tina e um ramo de alecrim a ladainha agora era mais complexa «aqua exorcizata ad effugandam omnem potestatem inimici, et ipsum inimicum eradicare et explantare valeas cum angelis suis apostaticis», e terminada a litania, a Sacerdotisa aspergiu-as. Caíram ambas imediatamente redondas no chão. Ainda corri para ver se acudia a alguma, mas foi tarde de mais.
Assim que elas recuperaram os sentidos viemos embora, o matolão apareceu para ajudar a leva-las para o taxi. Ainda era de noite, e o choufer estava a dormir ferrado em cima do volante, pôs o motor a aquecer e foi dar uma mija, antes de arrancar, foi verificar se as passageiras estavam em segurança. Eu estava sentado no banco da frente não consegui ver o que ele fez à minha mãe, porque ela estava no lugar atrás, mas ouvia soltar um gemido, e posso adivinhar que a tenha apalpado. Do outro lado quando abriu a porta a Pita ia caindo para a estrada, ele agarrou-a a tempo e aproveitou logo para lhe passar as mãos pelas mamas, o espertalhão ainda lhe passou a mão pelas coxas em direção ao pito mas assustou-se porque ainda estava tudo lambuzado com a minha esporra, e foi embater com a cabeça na beira da porta.
Eu dormi a viagem quase toda, nem sei por onde andei, nem por que covas passei, quando acordei estava no sitio certo, à porta do Cemitério. Só que aquela não era a nossa rua nem a nossa terra, não me tinha ocorrido nada melhor nem mais fácil, para que o taxista não ficasse a saber onde moramos, dei uma morada falsa, aquele sitio era isolado, e ali só havia o cemitério e do outro lado da rua uma casa.
O que eu não estava à espera era que as duas Tontas mal se segurassem de pé, e naquele estado não iam longe, para mal dos meus pecados também não era preciso, porque o taxista disse que ia ali ficar a dormir mais um bocado, mas era só mesmo para nos controlar. Àquela hora e ainda no luscofusco aquele sitio parecia assombrado e dava arrepios, até parecia bruxedo do dia das bruxas. Encurralado e sem outra solução abri o portão e empurrei as duas para dentro do quintal, estávamos fodidos, mas tínhamos de fazer de conta que estávamos em casa.

Sem comentários:

Enviar um comentário