095 Grande foda, ou quase.


Finalmente chegamos a Saint Peter de La Buraca, como oficialmente anunciou o taxista, para mais uma vez tentar quebrar o gelo, ele que até tinha passado a viagem a contar anedotas, tentando de balde animar as coroas, mas foi tudo em vão, só eu e ele é que nos riamos, até parecia que elas as duas iam a caminho do próprio funeral.
De buraco aquela terra tem pouco, é tudo só montes, e muito decrépitos, depois de dar umas voltas e de termos passado mais que uma vez pela mina, o chofer parou o carro num caminho escuro ali perto, e disse que agora tínhamos de esperar ali pela nossa vez. Eu não estava a perceber, e elas também não, a minha mãe abriu então a boca a primeira vez desde o inicio da viagem, ela pensava que era chegar ali e ir direto à bruxa. Foi então que ele explicou como tudo funcionava, havia mais pessoas a precisar dos serviços da dita senhora, e a espera poderia durar muitas horas “qui ça até a noite e a madrugada toda!”, e que para não dar muito nas vistas os carros de praça aguardavam naquele caminho. Foi então que ele ligou outra vez os faróis, fez piscar os máximos, e nós vimos mais ao longe outro carro à espera.
Eventualmente naquele caminho haviam alguns outros taxis, mas havia ainda de contar com pessoas que saiam daquele esquema e iam ter diretas a casa da feiticeira, contudo todos iam ter de esperar pela sua vez. A minha mãe rata velha, apressou-se logo a tentar dar a volta à situação. Em menos de nada tinha saído do carro e estava sentada no banco da frente ao lado do motorista. A luz que vinha do tecto era pouco, mas deu logo para ver que o busto dela estava quase ao léu, as mamas dela estavam quase, quase a saltar fora, numa das têtas até dava para distinguir as bordas (que ali assim pareciam castanhas) de uma das aureolas. O cabrão comeu-a logo com os olhos, só não meteu a mão, porque a vaca, com um gesto a imitar o gentil lha agarrou, e com voz meiga lhe foi pedindo se por ventura não haveria forma de apressar tudo aquilo.
Ele já ia a responder pela segunda vez que não, quando sem contarmos fomos encadeados por umas luzes muito fortes, a pita estremeceu toda e agarrou-me a mão, até eu fiquei acagaçado. A viatura que nos encandeava foi vindo devagarinho, até que parou quase ao nosso lado, eram os cucos. O taxista, saiu do carro, atirou o cigarro para a valeta e dirijiu-se ao jipe da da guarda.
Eu encavalitei-me na Pita para poder ver melhor, e ouvi quando um dos agentes lhe perguntou, se agora ele também trazia, putas e chulos à bruxa, o que era uma clara alusão à figura de kenga que a minha mãe estava a fazer na montra do carro. Fiquei cego, senti-me mal, num misto de raiva, frustração, e impotência. Quando percebi a realidade, a bófia ali, e nós ali naquela rua deserta, e naquelas andanças, a primeira ideia que me veio à cabeça foi que íamos todos presos. Grande foda em São Pedro da Cova, estávamos todos fodidos.  
Naquele instante apetecia-me ter fugido dali de qualquer maneira, voltar embora para a minha rica terrinha a pé se necessário fosse. Passou-me tudo pela cabeça, dede a primeira vez em que montei a aleivosa, até ao facto de estarmos ali porque ela meteu os cornos ao corno marido, e ficou prenha não se sabe bem de quem… Contudo acordei da minha fúria, para me rever noutra, a autoridade já se tinha ido embora. Tinham vindo ali… bem como dizer isto… cobrar, ou melhor, o cabrão do taxista deu-lhe, untou-lhes as mãos com quinhentos paus, ai o meu rico D. João II que ainda estalava. Pelos vistos era assim que funcionava.
Ai se o corno que anda lá pela França a comer o pão que o diabo amassou, soubesse como é que a cadela da esposa anda por aí a desbaratar os francos...
Aquilo era demais para mim, saí para apanhar ar e encostei-me ao carro a acender um cigarro, quando puxei o fumo, tive de me conter para não tossir. Tinha pegado num Gauloises. O taxista com mais faro que um cão velho veio logo atrás cravar-me “um desses”, teve azar o filho da puta, levou com um daqueles espanhois, uma zurrapa a saber a alcatrão, que se fodeu. Aquilo dá uma moca do caralho.  Nisto ele virou-se para mim e disse-me para ir com ele esperar para a tasca. “Comer umas sandes de presunto e beber uns verdinhos.” Eu disse que sim, mas gerou-se logo um sobressalto com as galdérias. As cadelas estavam atentas, e não queriam ficar ali sozinhas. E com razão, eu não podia deixar as duas cabras a pastar sozinhas, de noite, no meio de um monte qualquer, ainda por cima na terra da Bruxa.
Mal o chulo do motorista se afastou, a minha mãe apressou-se a sair do carro. Estava empachadinha para mijar, e mal se abaixou, ouvi logo o xixi a jorrar, eu estava a dois passos dela e não estivesse tão escuro, de onde eu estava poderia até estar a ver bem mais que o reflexo luzente da torrente de mijo que lhe saía de entre as pernas. A aleivosa também estava aflita, tanto que quando foi a sair do carro, se queixou, que com o cagaço de ali ter estado a policia tinha molhado as cuecas, ou até mais, penso eu. No fim de ter servido o corpo a vaca não foi em embaraços, e bem vi quando ela tirou as cuecas, usou-as para limpar o pito, e no fim atirou-as para o meio do mato.
Quando mija um português, mijam dois ou três, e por isso também eu fui dar algum trabalho à minha piça.

2 comentários:

  1. Esperando mais...grande seca!!!

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  2. "Novos Capitulos Todas As Semanas"

    Que grandes treteiros!!!

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