094 Reconhecidissimos Serviços Sexuais da Casa Amarela

Ele há cada puta mais maluca, e eu feito tolinho, só penso com a cabeça da gaita. E fodo tudo, ou melhor tudo, tudo não, porque no meio desta trapalhada toda, continua a minha namorada há esperinha que eu lhe salte à espinha e lhe tire o cabacinho, arrisco-me a um dia destes chegar lá e ela já ter entregado a virgindade a outro, ou que um cabrão qualquer lhe tenha tirado os três às três pancadas. Só de pensar até me arrepia os pelos da gaita. Mas outros valores se alevantam e por isso tenho de acompanhar a família nas suas necessidades.

Ora a pita, da puta da cunhada da prima da minha mãe, regressou finalmente do cativeiro, os pais lá soltaram a cabritinha, e no mesmo dia quiseram ir ao bruxo fazer o desmanche. Quando cheguei da escola mal me deram tempo de almoçar, obrigaram-me a vestir à pressa um fato completo com camisa, colete e jaqueta, e partimos os três à pressa para a paragem. Até parecia que estávamos a fugir de alguem. Fomos num autocarro até à vila, e lá depois apanhamos outro para a central, e aí apanhamos ainda outro. Sempre sem dizer palavra.

Chegamos a meio da tarde a Espinho, o dia estava bonito e cheirava a maresia, afinal é quase verão. Eu e a pita ficamos no parque à sombra enquanto a minha mãe foi pedir umas informações. Tudo muito misterioso, a pita de chinelas, quase toda vestida de preto, e de xaile pela cabeça quase parecia uma peixeira, a somar a este ar sinistro, não dizia uma palavra. Parecia que o gato lhe tinha comido a língua.

Quando a mãezinha regressou, disse que tínhamos de esperar, e eu pedi para irmos até à beira mar. Caminhamos algum tempo pela marginal junto à praia, e não fossem os motivos que nos traziam ali, e o ar de enterro das duas cadelas até podia ter sido um passeio agradável. Quando saímos dali tínhamos de ir em direção à estação dos comboios na rua 8, até pode ser facil para muito boa gente orientar-se naquelas ruas todas perpendiculares, mas para uns campónios como nós, demorou um bocado, ou melhor, até ajudou a passar o tempo, e a quebrar o gelo, até a pita já começou a dar um ar da sua graça.

Até já me tinha passado pela cabeça, mas nunca pensei que acontecesse, numa das ruas e à porta de uma Casa Amarela, estavam duas meninas, pouco recomendáveis, a botar fumo. Quando estávamos a passar por elas, botaram-se a nós, uma atacou as mulheres e a outra fez-se a mim. A minha mãe e a pita foram chingadas do piorio, era preciso conhecer o dicionario de palavrões da frente para trás e de trás para frente para recitar tanto e tão bem em tão pouco tempo. A outra, foi uma querida, abriu o grande casaco que trazia vestido, e por baixo nada. Estava nuinha, tal qual veio ao mundo. Ficou assim algum tempo a tentar convencer-me com palavras meigas a entrar com ela enquanto mostrava o material, duas grandes têtas, com aureolas e bicos a condizer, um ventre dilatado e no meio das volumosas coxas, uns papos de cona generosos com os pintelhos muito bem aparadinhos.

Aquilo ajudou a desfazer a tensão, e assim fomos mais animados, com elas a falar mal do bordel, das mulheres da vida, porque dizer outros nomes é feio, a maldizer de quem recorre aos seus serviços, mal sabendo que muitos homens da região, e muito provavelmente até os maridos delas recorrem com bastante assiduidade aos reconhecidissimos serviços sexuais da Casa Amarela, as Putas da Maria Alice de Espinho, para fazerem com as rameiras aquilo que as suas castas mulheres não lhes dão em casa, mas que provavelmente nem se importam de experimentar com um vizinho qualquer, ou até com o carteiro. Mas andemos porque se não, nem à estação cheguemos.

Entramos numa pastelaria fina ao lado da estação e a minha mãe encomendou um lanche a condizer, bolos e galões para todos, porque ela estava uma mãos largas. Antes de sairmos foram as duas para a casa de banho, que é mesmo coisa de mulheres, irem juntas fazer um chichi. Quando regressaram, a pita já trazia a cabeça destapada e o xaile vinha nos ombros.

Eu já estava todo contente a pensar que me ia estrear a andar de comboio, quando e mãezinha me diz que tem de ir falar com o senhor do taxi. Nisto deixou escorregar para os braços o xaile até deixar à mostra os ombros nus, e ficou à vista o decote bem aberto com o grande volume dos peitos bem à mostra, e as mamas bem subidas quase a saltar fora. Tivesse andado assim umas ruas antes, e as meretrizes não tinham gozado com com ela.

Ficamos a observar ao longe, enquanto ela fazia perguntas primeiro a um taxista e depois a outro. Deteve-se mais tempo na conversa com o segundo, e ia-se insinuando, chegou mesmo a alçar a perna para cima da roda do carro de praça, deixando descaradamente à mostra um bom bocado de coxa grossa. O que despertou bastantes olhares curiosos de quem passava. Nisto o chófer foi para a junto do poste com a caixa verde e preta com o telefone, e com o auscultador na mão ia falando, enquanto a vádia o ia rondado, perante o olhar atento de uns quantos mirones, e motoristas de carros de aluguer, de olhos em bico, e por certo, piça em riste.

Demoraram ali bastante tempo e deu ideia de que ele fez diversas chamadas. Quando a senhorinha regressou, já trazia o xaile a cobrir as vergonhas, e com a cara de caso que trazia bem podia passar por ser mais uma beata a caminho da missa das sete.

«Não podemos ir ao bruxo de Fafe, ele já está com marcações para muito tempo. Como estamos com urgência, o senhor conseguiu para hoje na bruxa de São Pedro da Cova. Diz quem sabe que tem muita fama, e que é muito bem recomendada para estas situações de desmanche… São cinco contos, e tive de pagar adiantado, mas, só para o taxi! Quanto é que ela leva? Não sei, mas o que se quer é que dê certo. Ele agora vai jantar, e saímos daqui a uma hora e meia.»

1 comentário:

  1. Este Post também ficou amarelado devido ao tempo que ai está!

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