066 «Eu juro que te ponho os cornos!»

Ora estava eu na casa de banho a lavar-me por baixo, homem que é homem quer-se asseado, pois nunca se sabe quando é que uma nova oportunidade espreita, e só a talho de foice relato que a minha muito querida mãezinha dispensou a higiene amanhou-se de qualquer maneira e deixou a rata a gomitar leitinho para as cuecas, um mimo.
Ora estava eu nesses preparos quando começo a ouvir ao longe uma rela, escape livre e coisa e tal, não me devia escapar muito, era o marido da prima, vim à porta e soltei o alarme.
Instalou-se logo a confusão e eu fui de imediato recambiado para o portão,afim de o segurar lá.
O cabrão estava com uma puta do caralho, mal se segurava de pé, não estivesse eu por ali e a V5 tinha ido parar ao meio do chão.
As cadelas ainda demoraram um bocado, mas por fim lá chegaram todas animadas, pudera, depois de se terem consulado a cheirar e a lamber o bacalhau umas das outras, num admira. Despediram-se com aqueles salamaleques intrujões que só as gajas sabem fazer, e bota disto o camelo do marido da outra atira-se para cima da mota, mas qual quê, não foi lá nem com ajuda. Se um cabrão daqueles não estava em condições para escachar as pernas e montar a rela, de certeza que não ia estar em condições para á noite montar a cabra da mulher quando ela lhe escachasse as pernas.
O beberolas ouviu poucas e boas, eu borrava a minha cara de merda se ouvisse só um terço daquilo, foi do caralho ao ar, era filho desta, daquela, e da outra, cornudo, manso, «havias era de ser enrabado com uma deste tamanho», e espetou-lhe com um valente murro nas trombas. Por fim a vaca arregaçou a saia, e montou a rela, bonito foi ver aquelas lindas cuecas de cetim preto ainda molhadas, ali mesmo no meio dos papos da bichana, com uma risca tipo racha meladinha de nhanha da boa, a minha claro!.
O boi lá entrou na motorizada por trás, agarrou-se à vaca da mulher pelas têtas, quase parecia um macho, nós ajuda-mo-lo a meter os pés no estribo. Ela enfiou o penico na cabeça, ergueu a perna e deu ao kicks, o motor nem nada, ergueu outra vez a perna e atirou-se para cima do pedal, uma e outra vez, e fez-lo com tal desembaraço que as cucas foram subindo e já se viam os pintelhos da mata.
Enquanto isso a cadela estava tola e não parava de ladrar, vociferar qualquer coisa do gênero:
«A próxima vez que me aprontes uma destas, eu juro que te ponho os cornos, passo o domingo todo a dar o pito de manhã à noite, aí é que vais ver o que é bom prá tosse, há-de ser ao Senhor Abade, ao sacristão, ao filho da puta que te vendeu o vinho, ao cabrão que bebeu contigo. Cum caralho hei-de foder tanto tanto até a cona ficar toda esgaçada e com esporra a escorrer das beiças da passareca até aos tornozelos, e quando chegar a casa ainda te obrigo a passar-me o corredor a pano. No fim ainda te vou ao cu com o cabo da vassoura e a seco, e nem penses que te vou untar o rabiote com manteiga como da ultima vez, que é para aprenderes…»
Finalmente o motor roncou e lá se foram eles aos ésses e érres rua fora, ai, ai!

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