061 A fuga das conas pingonas

Tanto putedo ali assim a recuperar depois de uma excursão de farra merecia uma prenda das boas, para curar a ressaca do bacanal de vez.
Fui corredor adiante e apanhei tudo o que consegui, e artilhando aqui e ali, pondo a minha artimanha em marcha, fui até ao cruzeiro que ficava logo ali à frente e decorei-o da melhor maneira.
Voltei ao autocarro, fui de mansinho até junto do motorista e preparei a armadilha, voltei a sair e escondi-me atrás de uma sebe bem posicionado, agarrei uma pedrinha e atirei, bem só para aí na quinta tentativa é que deu resultado, acertei em cheio no pára-brisas em frente ao camelo do chouffer, este pisou a buzina de pé da camioneta, e a minha habilidade já tinha feito o resto um pausinho bem colocado entalou o botão…
Um silvo grutal rasgou aquele fim de madrugada, e não demorou muito a ver aquela gente toda a saltar dos acentos e todos aflitos a correr lá dentro, foi a confusão total.
Mesmo por cima do ronco da buzina eu conseguia ouvir os fritos estéricos delas e os palavrões deles, não admira, bastou amarrado uns quantos atacadores de sapatos aos cabrões, que com o susto e acabaram por se atropelar uns aos outros lá dentro.
Quando saíram era vê-los a correr, os cabrões alguns descalços, de calças na mão, ou até sem nada para baixo, como aconteceu com o cigano que ia com o badalo a dar e os tintins a abanar. E as cadelas, todas, todas de têtas ao léu a saltar pela roupa fora e a abanar, a tentarem tapar-se de qualquer maneira, umas a segurar na saia a cair, outras com a mata à mostra, como era o caso da Ti Coisinha, que deve ter perdido a saia pelo caminho, e ia descalça com as meias de vidro completamente rasgadas na cintura e as cuecas todas de esguelha a mostrar uma rata peluda de primeira categoria.
A melhor parte foi quando os nossos turistas sexuais passaram pelo cruzeiro, além de já estar ali o Senhor Abade em ceroulas no meio da rua a observar o espetáculo, que há-de ter acordado com a algazarra da buzina que não se calava, ficaram especados todos espantados a olhar para o estendal de cuecas, soutiens, blusas e truçes, pendurados no alto da cruz.
Suei um bom bocado para os lá meter mas valeu a pena, ainda há bocado lá estavam, aqueles cabrões desenvergonhados devem estar à espera da noite para acabar com a vergonha.
Mas naquela altura nenhum ficou por lá muito tempo a ver, até porque se já havia tantos cães a latir por ali e não iam tardar a aparecer na rua os donos para ver o que se passava.
Eu continuei ali escondido, não fosse ser apanhado. Ainda vi quando o padre se virou para voltar a casa e passou a mão no volume que já levava arrebitado entre as pernas, quando chegou à porta já lá tinha à espera a criada em camisa de dormir, deve ter apanhado pouco na pita a rameira?!
Só então o filho da puta do motorista conseguiu calar a buzina, ri-me pouco, ele teve de levantar o capô e tirar o tubo para ela se calar, mas mal pôde fugiu dali com a camioneta a sete pés.

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