053 O Cagaço

Uma seca do caralhete, continuo todo fodio, porque não fodo,... ainda vou ficar cego de tanto esgalhar o pessegueiro, até já sonho acordado com têtas e conas, as revistas porno que roubei ao meu pai e as cuecas da minha mãe são agora as fieis companheiras, da minha soltária punheta.
Estava eu no meio desta minha provação, quando me aparece cá em casa o Preto. Ele veio com uma história, toda maluca, que eu nem queria acreditar, parecia mais uma caça aos gambozinos que outra coisa.
Custou! Mas sempre de pé atrás, lá aceitei ir com ele ver o que se passava, ver para crer. Tenho de confessar que eu fui todo acagaçado, e aposto que ele também, e não era para menos!
Subimos até ao cruzeiro, passamos pela capela das Almas, era já fim do dia. Paramos nas alminhas para rezar, e benzemo-nos duas vezes no fim. Para não sermos notados, fizemos o resto do caminho pelo mato. Quando lá chegamos, trepamos o muro e saltamos para dentro do cemitério num sito atrás das arvores. Escondemo-nos e espreitamos, parecia deserto, não se via vivalma, aproveitamos e fomos nos esconder de novo mais à frente no meio das campas atrás das lápides e dos crucifixos.
Ouvi um barulho e espreitei de trás de um anjinho e vi o casalzinho entrar pelo portão, pareciam medrosos, de mãozinha dada, e cabeça enterrada nos ombros, todos encolhidos. Quais ladrões desconfiados, olhavam para todo o lado, uns salteadores de tumba de meia leca. Estive mesmo prestes a pregar-lhes um susto de morte, só a minha curiosidade me travou, anda ri baixinho a pensar neles a fugir dali a sete pés, todos borrados de medo. Grande pecado escondiam estes amantes para se virem encontrar num lugar destes, quando caí na real, olhei para trás a ver se ainda era o Preto que estava ali comigo, ui, ui, que arrepio na espinha… medo!
Eles continuaram até ao fundo do cemitério, meteram por entre as capelas e deixamos de os ver. Ainda com o coração aos pulos fui a correr atrás do Preto, a curiosidade tratou do resto, e quando nos encostamos atrás do carvalho grande, e c’um caralho, já não havia medo.
O tempo tinha passando, e o lusco fusco dado lugar ao escuro da noite, à nossa volta notava-se agora o terreiro salpicado pelos pequenos pontos alaranjados das lamparinas.
Estávamos a espreitar um de cada lado do cepo, duas chispas e um isqueiro acendeu-se, e atrás dele um cigarro, que tremeluziu e passou de mão em mão, de boca em boca. Até a mim me apetecia uma passa, para matar aquele friozinho que me trespassou a espinha, a cagufa voltou quando os vi entrar para um dos jazigos que ainda estavam em construção, não sei porque o sentia, se não era eu que estava lá, se fosse eu não entrava.
Nisto tudo, algo me intrigava, quem eram eles, para ali estarem grande mistério seria, até agora ninguém tinha descoberto, tão pouco se tinham atrevido a vir espiolhar, ou sequer montar guarda ao portão. Especulações havia muitas, uns apostavam ser a filha solteira de fulano que andava a dar o pito ao marido da catequista, outros ainda que era o padre que por ali se consolava na cona da desconsolada catequista, ou até a mulher do juiz que andava metida com o regedor, teses e tesões não faltavam, todos eram unanimes e de uma coisa tinham a certeza, que fodiam, lá isso fodiam. Porque lá de cima do alto do cruzeiro eles viam ao longe, o que nós agora queria-mos testemunhar.
E vimos, tal qual eles disseram eles foram acendendo velas e círios, as sombras deles mostravam, enquanto eles se movimentavam, trocavam abraços e talvez beijos, mas isto era pouco mais do que se via lá de cima, e eu estava em pulgas, queria ver tudo, queria descobrir. A beata do cigarro voou porta fora e eu não me contive, olhei para o cimo do monte para o cruzeiro, e não vi nada, mas eles estavam lá de olhos postos naquela porta de onde tremeluzia uma luz bruxuleante emoldurada por sombras disformes, enchi o peito de ar, abaixei-me e fui quaze a rastejar até ao meio das campas, eu precisava, eu queria, eu tinha de ver, não tinha passado por tudo isto e agora ir embora sem ver, sem desvendar o segredo…
Subitamente senti algo a mexer a meu lado, apenhei um valente susto, quase que eu gritava, era o Preto, que tinha vindo atrás de mim. Já se via melhor, talvez uns apalpões, umas trocas de carinhos, beijos, mas talvez não chegava e eu não queria perder a melhor parte, até já estava a ficar com tesão. Levantei o pescoço, sem medo de o perder, vi um sito melhor, uma lápide daquelas grandes com uma cruz esculpida, em menos de nada estávamos a espreitar por entre as frinchas, a ver a cena ali quase ao pé, mesmo à nossa frente. E ainda chegamos a tempo da melhor parte.
No fim de um beijo mais intenso, ela ajoelhou, aliviou as calças ao Individuo, tirou-lhe o sujeito teso para fora, e como quem se sujeita a estas coisas toca pifaro, ela abocanhou a gaita, e no silencio fizeram-se notar as notas dos gemidos que o musico soltava, ao ritmo da vigorosa da mamada da amante.
O tipo puxou-a pela cabeça e voltou a beijá-la energicamente, a coitada não pareca tão à vontade, mas lá foi correspondendo. A minha expectativa é que não era nem um pouco correspondida, belisquei o Preto que se virou para mim, mesmo no escuro conseguia perceber a sua frustração.
Fui juntado mentalmente os dados, ele era novo, não dava para ver bem a cara, ele ficava sempre na penumbra, ela tinha um rosto fino, trazia o cabelo preso, era magra, talvez até demais, e não tinha mamas, já não fazia o meu gênero, homem que é homem havia de querer sempre alguma coisa para se agarrar. O casal continuava um mistério.
Ela parecia impaciente, e enquanto trocavam beijos foi desapertando as calças e tirou-as com desembaraço, empinou-se, apoiou-se algures, abriu as pernas, o cabrão foi logo por trás baixou-lhe um pouco as cuecas e fez pontaria com o mangalho.
Ele estocou e ela soltou um guincho que fez esvoaçar uns quantos passaros à nossa volta. E então eu percebi porque é que eles lá no cruzeiro se deleitavam. O cabrão fodia energicamente, dentro e fora, fora e dentro, num ritmo esfomeado. A minha piça já estava fora das calças, a gozar uns miminhos especiais, eu estava perdido de tesão, e pouco me importei com o Preto ali ao meu lado, que por certo estaria a fazer o mesmo.
As velas estavam no chão e por isso não conseguia-mos ver as caras ao casalinho, a luz iluminava-os por baixo, e nada disto tinha significado adicional, não fosse a puta ter metido a mão entre as pernas e ter sacado de lá uma piroca tesa, nada disto seria estranho, não fosse o gajo continuar a fudê-la e ela estar a bater punheta numa outra piça.
Para ajudar a esclarecer a questão, ele desencavou, e eles trocaram de posição, os filhos da puta eram dois paneleiros do caralho, rabetas de meia tijela, que se encontravam ali no cemitério para apanhar no cu, e da forma como fodiam deviam sair dali com o pacote bem rebentado.
Ao ver tal confusão o Preto soltou um guincho.
Com tal cagaço, foi um ar que se lhe deu, os dois cabrões desancaram dali para fora a correr, ainda de calças na mão, e em menos de nada evaporaram-se.
Tinha-mos uma comitiva à nossa espera à porta do cemitério, e tivemos muito que contar, mas ficamos a chuchar no dedo, porque não sabemos quem são, mas suspeitamos...

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