048 quem se queixa leva ameixa

Ergueu-se tarde da cama este moço -EU-, naquele dia de gazeta bem gozada, e não tardou a fazer-se à estrada, pedaleira entre as pernas, pois claro está, já que naquela hora por ali não achou, femea alguma onde atarrachasse o macho.
Calçada abaixo, e com as campainhas a telintar de felicidade, sai-lhe ao caminho a cadela da padeira, que puta era e que fama se lhe conhecia por assim dizer, dar o que tinha a qualquer rafeiro que por ali aparecesse, vicio este, está visto que apanhou da dona. Seja como for, ladra a cadela e a bicicleta passa, e já que por ali não se acha nenhuma dignidade digna de ser roubada, continua o ciclista na sua vontade, desvendada de ir assaltar o pomar da quinta dos galegos, uns emigras que andam lá pela frança, e fazem questão de o dizer e desdizer que é como esses vizinhos do norte que se deve trabalhar.
Ora andava já o moço montado numa arvore, entretido a abanar ramos para fazer cair as ameixas que de cá de baixo já não se apanhavam, quando lhe apareceu por ali a sua colega, amiga e vizinha, e por assim dizer o que por aqueles dias se lhe afigurava melhor como a sua, mui querida e legitima amada, namorada.
Palavras doces trazia a moçoila, que alegremente tagarelava enquanto roliça ia apanhando algumas ameixas, coisa digna de se ver porque sempre que se abaixava deixava ver pelo decote as maminhas e seus biquinhos.
Assim que desmontou da arvore o moço não tardou em derramar a sua paixão pela amada, ele foram beijinhos e carinhos no rosto, pois claro coisas dignas de se fazer, que dois corações quando se juntam são para se enamorar.
Mas desengane-se aquele que acha que -aqui- este moço deu uma de galã, pois o que lhe apetece sempre é galar, e não tardou muito a juntar aos beijos, uns quantos amassos e uns apalpõezitos, coisa de amador, para este fodilhão profissional que se apressou logo a demonstrar os seus dotes, fazendo rolar a mão por baixo do vestido para lhe chegar à ameixa. E se com fome já estava, com apetite logo ficou quando notou que se não havia por ali no entre-pernas o enchumaço dos trapos, e se já só por ali andava uma cuequinha, era sinal de que aquela ameixa já não estava vermelha, e em boa hora estava para se comer.
Melhor é fazer do que pensar, foi por isso que no instante seguinte, já estavam os dois a testar a verdura do corrijó, ele maduro e cheio de vontade (já a saltar-lhe em  cima), ela ainda em maturação mas cheia de curiosidade, a experimentar nas costas o leito verde. Por um instante as ameixas foram esquecidas e logo ali se apalparam os melões, e para se certificar se eram bons os tratou logo de bem chuchar. Nenhuma fruta podia ficar esquecida, e ele lá foi desfolhando os troncos acima, até lhe destapar o ninho, com paciência e jeitinho descascou a moça que tremia, enquanto pernas abaixo escorregavam os folhos, e à vista ficava um segredo por desvendar.
Que afinal não era uma ameixa, uma amora seria?, um amor era quase com certeza, tão pequena que ele nunca tinha visto igual, uma amora negra, fechada, como se nunca tivesse sido aberta, a estrear, aquilo não se podia apelidar de cona, nem outros nomes lhe acentariam, talvez pitinho fosse bom, mas amora negra, com certeza se comia bem.
Estava de apetecer, de ver, de tocar, de cheirar de comer, até parecia que para ele era a primeira vez, tinha esquecido tudo, até de tirar a ferramenta de dentro das calças, mas por agora nem era preciso, porque por lá andavam uns dedos curiosos a testar a consistência tenra e a polpa suculenta do fruto proibido.
Quando ele deu de si já tinha a cobra a rebentar-lhe com a roupa, e ávido de fome como estava, apressou-se a oferecer a sua fruta à parceira, mas quando o moço sacou da banana a moça teimou que ali não era o lugar certo para continuar a refeição, houvesse por ali uma maçã e o cenário estaria completo.
Acabou-se então o serviçinho, que é como quem diz, encheram-se dois sacos de ameixas, o moço arrecadou a ferramenta e ela, guardou as cuequinhas num bolso.
A alegria não tinha esmorecido, só procurou outro lugar, e se bem combinaram, num instante no palheiro da vizinha (senhora sua mãe, dela), se encontraram.
E com isto se acabou o tempo dos floreados porque este moço está cheio de vontade de foder, e ela não quer outra coisa, e meio caminho já está andado.
Ela deitou-se em cima de um monte de panha, e sem cerimonias levantou a saia e abriu as pernas, ele logo se pôs por cima dela, já com as calças desapertadas e a piroca de fora, aquele olhar ardente merecia um beijo, pouco importa quem pediu porque ao mesmo tempo os lábios se abriam e as línguas se cruzavam. Era fome o que sentiam aqueles dois, ele levou a mão à piroca apontou às cegas, enquanto ela se mexia por baixo dele para ficar mais a jeito. Devagar, não era preciso pedir, também não dava, não entrava: Devagar, porque esta não era como as outras. Devagar, é preciso dar tempo ao tempo. Devagar, esfregar a piroca nas beiças da cona, para ela se habituar. Devagar, porque ela é virgem, a sério vai ser a primeira vez. Devagar, mesmo bem untada e a escorrer a piroca custa a entrar, será o medo de a magoar…
Será a puta da mãe dela que vem aí aos berros?, e é!
Foi um ver se te avias, num instante, não havia tesão, e as calças estavam outra vez no sitio, em menos de nada ela levantou-se, ajeitou o vestido, sacudiu a palha, e nem um adeus houve tempo de dizer, ela correu porta fora, ele foi esconder-se no fundo do palheiro, enquanto baixinho ia praguejando, é nestas alturas em que se despeja o saco, só porque os sacos ficaram por esvaziar. A puta chegou na hora errada e se chegar a ser sogra dele, terá muitas a haver, e não há-de faltar vontade de se consolar na filha e consolar a mãe, por agora aquela vaca merecia era ser enrabada num corno de cabra.

1 comentário: