037 A Puta da Loucura

Depois de tanto castigo finalmente algum alivio, fui com os meus colegas jogar futebol para o campo da bola do baldio, a coisa não correu lá muito bem porque só durou p’rá-i uma meia hora, o pancão do Tolo rematou à baliza e a bola foi embater no ferro do esteio que fazia de poste, o Macarrão ficou todo fodido porque a bola era dele, e foi uma risota total quando eu lhe enfiei a bola vazia pela cabeça abaixo a fazer de capacete.
Como não havia outra bola resolvemos vir embora, e meio caminho, o Torrão lembrou-se de que podiamos ir dar uns mergulhos para o açude da Velha, dito e feito, lá fomos nós numa correria pegada, quando lá chegamos quase nos pegava-mos à porrada, porque ninguém se lembrou que não tinha-mos trazido calções de banho, o sol a arder e a água calminha logo ali, mesmo de apetecer, já o Tolo se atirava aos cornos de alguém, quando o Macarrão soltou um grito e nu em pelo, e ainda com a bola a servir-lhe de capacete se atirou assim à água, nem deu tempo para pensar seguimos-lhe todos o exemplo, era a puta da loucura.

Nem por todos os cigarros do mundo eu trocava aquilo, ainda não é verão mas este dia foi mesmo quente, nadamos e mergulhamos até nos fartarmos, e que bem que soube.
No fim subimos às pedras e ali ficamos deitados ao sol a secar, e não é que o Torrão se lembrou de se pôr ali a bater uma punheta, bem, não tardou nada a erguerem-se ali meia duzia de mastros, e surpresa das surpresas o pancão do Tolo tinha um pinto do caralho mesmo grade, uma piça de preto, quase um palmo de pixa tesa, e logo ali o (re) batizamos de Preto, com direito a cerimonia no rio e tudo, e aproveitamos a embalagem para mais uns quantos mergulhos.
Quando voltamos a sair o Macarrão e o Marreco estavam a discutir sobre quem aguentava mais tempo debaixo de água sem respirar, para resolver a contenda resolveram fazer uma aposta... e que aposta, era a puta da loucura.

Voltamos ao acude, colocaram-se os dois num sitio mais fundo com água pelo peito, o Preto juntou-se a eles para servir de juiz arbrito, respiraram fundo e a um sinal dele foram os dois ao fundo, ninguém estava a contar o tempo, mas pareceu uma eternidade, tanto que até a mim que estava de fora me chegou a faltar o ar, às tantas começamos todos a gritar para o Preto os sacar do fundo, ele fez sinal para termos calma, mas a malta começou a correr para lá.
Naquela altura todos comentávamos que a aposta era estupida, que não tinha sido boa ideia, e resolvemos ir tirá-los de lá, quando já estávamos a chegar o Macarrão saiu de água, mas logo, logo, voltou a cair para lá. Dei logo um mergulho e fui buscá-lo, quando o tirei já o Marreco estava cá fora agarrado ao Preto. Saíram ambos dali em braços e voltamos para as pedras secar, e para eles também recuperarem o folego, mas ninguém esqueceu a aposta, depressa chegamos à conclusão de que não era ali o sitio certo, para acabar a questão, vestimos-nos e fomos para a mata, era a puta da loucura.

Quando lá chegamos o Macarrão não estava pelos ajustes, até parecia que estávamos bêbados com aquilo, insistia-mos que era uma questão de “honra”, uma coisa de homens, e até o Marreco estava meio inclinado em desistir, a discussão prolongou-se e foi o Macarrão que acabou por dar o braço a torcer, aceitou pagar a aposta se nós todos primeiro tocasse-mos ao bicho até nos esporrar, acto continuo-o foi um tal baixar calções, calças e cuecas, e mão na prioca.
Não tardou muito e já estava-mos ali todos de pau teso, o Preto foi o primeiro a esporrar-se, chegou-se a um pinheiro e pimba mugeu o leite de piça para lá, e um a um lá fomos todos todos ao tronco esguichar o leitinho, o que eu não dava por ter ali por um par de mamas e uma cona naquela altura, já não me esporrava ia para uma semana e tinha os tomates a latejar, fui o ultimo a vir-me, esguichei de longe mais leite que qualquer um deles, ficaram pasmados, e até bateram palmas, era a puta da loucura.

No fim daquilo tudo restaram os dois apostadores de pau teso, o Macarrão encheu o peito de ar chegou à beira do colega, agarrou-lhe na piroca, e começou a alisá-la, aquilo era demais, achei que estava sem forças e tive de me sentar no chão, mas não era o único, só o Preto ficou de pé encostado a um pinheiro, eramos meia duzia de gatos espantados a mirar a cena. O Macarrão tinha uma mão a acariciar a piça dele tesa e a outra na piça do colega, que já estava toda melada, e verdade seja dita ele tem muito jeito para aquilo, a malta estava pasmada e observava a cena em silencio.
Aliás saímos dali a passo, e no mais puro dos silêncios, ninguém disse uma única palavra e decidirmos ir cada um para seu lado. Eu regressei a casa e quase nem almocei, os exames serviram de desculpa para vir registar este dia, embora seja difícil ou para qualquer um de nós esquecer quando o puto todo encolhido e envergonhado se encostou ao sobreiro, e o calmeirão orgulhoso se ajoelhou aos pés dele para lhe fazer um bico, e finalmente pagar a aposta.
Sem nunca deixar de alizar a piça dele, ele agarrou novamente a piroca do Marreco com a outra mão enfiou-a na boca, feito guloso, toda de uma vez. Mamou-a bem, via-se mesmo ele a chupar e até parecia estar a gostar de fazer o broche.
Não me lembro de ter olhado para a cara do puto, mas fiquei com a sensação de que ele não quis ver o que se passava abaixo do umbigo e esteve o tempo todo a olhar para o ar, até se contorcer todo quando se veio. O Macarrão aguentou-se estoicamente e enquanto engolia o leitinho do amigo esporrava-se todo para cima das canelas do outo, quando terminou limpou os cantos da boca com as costas da mão.
 
É assim a puta da loucura.

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